Derrotar a direita não permite vacilação!

É preciso derrotar o neoliberalismo. Silenciar num momento tão decisivo ou esconder-se com o pretexto da coerência num discurso sectário é cometer um grave erro político

07/10/2014

Editorial da Edição 606 do Jornal Brasil de Fato

Concluimos o primeiro turno das eleições gerais com um Congres­so Nacional mais conservador. A on­da reacionária fortaleceu as bancadas ligadas a grupos evangélicos funda­mentalistas, lideranças contra a am­pliação de direitos e a chamada “ban­cada da bala”, defensora da intensi­ficação de medidas repressivas. Mas fortaleceu principalmente as ban­cadas patronais ligadas aos grandes grupos econômicos.

Votos nulos, branco e a abstenção apresentaram um significativo cres­cimento, permitindo concluir que também canalizaram a insatisfação dos eleitores.

A conjunção entre um quadro re­cessivo na economia e o momento eleitoral sempre fragiliza a situação e fortalece o discurso oposicionista. Neste contexto, as forças neoliberais percebem a possibilidade de vitória e jogarão todas as suas fichas nos pró­ximos dias. O confronto entre Dilma Rousseff e Aécio Neves será uma ba­talha decisiva, duríssima, que exigi­rá a mais ampla mobilização de to­dos os setores populares e de esquer­da em nosso país.

Neste momento, assistimos ao es­forço da candidatura de Aécio Ne­ves para disputar o espólio eleitoral de Marina Silva, em especial os seto­res mais reacionários que haviam en­xergado uma possibilidade de vitória através da candidata do PSB. Para is­so, contará com o apoio infalível da grande mídia que também se prepa­ra para utilizar toda sua artilharia de denúncias nas próximas semanas.

Mais do que nas outras eleições em que a candidatura do PT enfrentou­-se com o PSDB, a vitória de Dilma Rousseff dependerá da mobilização militante. Uma eleição a ser decidi­da com o trabalho voluntário, de ca­sa em casa, nas ruas, como nos me­lhores momentos da história do PT. E dependerá, muito mais, da ousadia em aprofundar o programa de mu­danças, deixando claro para a juven­tude trabalhadora e a militância po­pular seu compromisso e disposição concreta em enfrentar os complexos desafios das mudanças sociais.

O segundo turno favorecerá o de­bate político entre dois projetos dis­tintos. O significado do retorno do neoliberalismo, com suas privatiza­ções, alinhamento com os EUA e re­dução de investimentos sociais de um lado e a necessidade da frente ne­odesenvolvimentista avançar no en­frentamento dos problemas estrutu­rais que foram relegados em nome da manutenção da unidade com seto­res burgueses, de outro.

A proposta de uma Plataforma dos Movimentos Sociais, elaborada por 60 organizações sociais de to­do o país é uma alternativa concre­ta, possível e imediata da necessária radicalização que deve ser acolhida pela candidatura de Dilma para en­frentar a ofensiva neoliberal neste segundo turno.

O momento histórico não permite vacilações. É preciso derrotar o neo­liberalismo. Silenciar num momen­to tão decisivo ou esconder-se com o pretexto da coerência num discur­so sectário é cometer um grave er­ro político.

Permitir uma vitória ao neolibe­ralismo significa uma tragédia não só para as forças populares em nos­so país, mas para todos os governos progressistas de nosso continente, fortalecendo o imperialismo com im­plicações geopolíticas mundiais.

Porém, mesmo vitoriosa, Dilma governará com uma correlação de forças desfavorável no Congresso Nacional, com os setores médios, também chamados de “classe mé­dia alta” extremamente rancoro­sos e com uma parcela do eleitora­do muito desconfiada de seus reais compromissos em aprofundar as mudanças.

Este cenário reforça, mais ainda, a necessidade de lutar por uma Cons­tituinte Exclusiva e Soberana do Sis­tema Político. Sem enfrentar o atual sistema político estaremos conde­nados a assistir o fechamento de um verdadeiro cerco político reacionário.

É fundamental enfrentar a ofensi­va neoliberal e apoiar a candidatu­ra Dilma, mas não de forma subor­dinada, apenas reproduzindo os slo­gans e frases de campanha. Erguer com força a bandeira da Constituinte Já, exigir que seja exclusiva e sobera­na, e trabalhar a Plataforma dos Mo­vimentos Sociais.

Ou seja, aproveitar o momento eleitoral para o debate político com o povo são os caminhos de um apoio político que compreende que não basta ganhar, será preciso ser ousado para exigir mudanças políticas que se não forem realizadas permitirão que se feche o cerco conservador.

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