Um clube para descobrir e lapidar escritores

 

Belo Horizonte ganha novos ares com ateliê de escrita

26/02/2016

 

Por Rafaella Dotta

De Belo Horizonte

 

Laura Cohen é escritora e uma das fundadoras | Foto: Larissa Costa

“Comece a escrever escrevendo...” e tem coisa mais difícil? Mas o ateliê Estratégias Narrativas decidiu desafiar o universo da escrita. Aberto há um ano, ele funciona como uma oficina de escritores, colocando todo mundo para aprender na prática e trocar conhecimentos. O resultado são dez livros e centenas de histórias.

O projeto nasceu inspirado nos ateliês de desenho, em que os participantes aprendem praticando. Daí, Laura Cohen, escritora e uma das fundadoras, pensou “por que não um ateliê de escrita?”. E o próprio nome sugere o trabalho que é feito ali, conta Laura, “ateliê dá a ideia de uma coisa artesanal, feita continuamente”.

Os participantes variam de 20 a 60 anos e levam seus próprios projetos literários. A intenção é fazer com que cada um desenvolva seu estilo de escrever. E esse estilo particular existe mesmo? “Acho que é só o que existe”, defende a escritora Laura.

Prova disso são os quatro livros já publicados pelos integrantes do ateliê, através do selo literário Leme. “Rubi”, escrito por Odette Castro, “Diminuto”, de Guilherme Hargreaves, “A volta ao mundo de um tal Jacob von Warburton”, de Adilson Luiz Quevedo e livro “Ainda”, de Laura Cohen. No primeiro semestre de 2016 serão mais seis publicações, todas de mulheres.

A jornalista Eliza Caetano é uma das autoras que estão saindo do forno, com o seu primeiro livro, o Colecionáveis. Ela participa do ateliê desde setembro de 2015 e encontrou nele um lugar para amadurecer seus poemas, publicados em um blog desde 2000. “Ali nós não temos só aula, nós temos um grupo, e isso é importante para achar pessoas que pensam como você, que vão te ajudar com opiniões de qualidade”, conta. Foi essa interação que trouxe à Eliza a coragem para lançar seu livro.

Subindo no viaduto

O trabalho do Narrativas são estímulos para a literatura na capital mineira, a partir do desenvolvimento e descoberta de novos talentos, acredita Laura. “Minha intenção é mostrar aos escritores como escrever e publicar, entendendo e respeitando seus desejos”, diz.

 Para isso, o ateliê se inspira em autores belo horizontinos como Ana Martins Marques, Carlos de Brito Melo e Fernando Sabino. E como uma brincadeira, também se inspira na cena do livro Encontro Marcado, de Sabino, em que personagens escritores sobem nos arcos do viaduto Santa Tereza porque, segundo uma lenda, Carlos Drummond já havia subido. O episódio ficou conhecido pelos que querem encontrar a fonte da boa literatura e, portanto, sobem os arcos para experimentar a sensação.

De olho nas sugestões!

Além de publicações semanais no blog estrategiasnarrativas.org abordando estratégias de escrita, o ateliê oferece oficinas e palestras gratuitas durante o ano. No Museu de Artes e Ofícios, na praça da Estação, acontece o projeto gratuito Ofício da Palavra que realiza oficinas e bate-papos com escritores de renome. Na internet, uma boa pedida é o site do Correio IMS do Instituto Moreira Salles, correioims.com.br, com cartas que grandes personalidades trocavam entre si, inclusive para as críticas literárias.

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