Juristas e políticos denunciam Estado de exceção na ação da PF contra Lula

 

A ação da Polícia Federal levou o ex-presidente para depor na unidade de Congonhas; o petista foi levado por condução coerciva.

04/03/2016

Da Redação

 

  
  Foto: Instuto Lula

O ex-presidente Lula (PT) é alvo de investigação da Polícia Federal, na manhã desta sexta-feira (4), como parte da operação Aletheia. Lula foi encaminhando para depor à PF em Congonhas, São Paulo.

O petista foi levado por condução coerciva, ou seja, quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento e continua em liberdade. No aeroporto de Congonhas, manifestantes pró e contra Lula fazem ato.

Em nota, o Instituto Lula declarou que “a violência praticada hoje contra o ex-presidente Lula e sua família, contra o Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente, é uma agressão ao Estado de Direito que atinge toda sociedade brasileira”.

A nota também crítica a forma como a operação vem sendo conduzida, “A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal, e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal”.

Segundo informou o jornal Folha de São Paulo, o ex-presidente reagiu bem à operação da PF e esteve “tranquilo” na abordagem até o momento da condução .

A investigação analisa se Lula se beneficiou de obras das empreiteiras OAS e Odebrecht. Além da casa do ex-presidente, o Instituto Lula e outros pontos de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia são alvos da operação.

Reações

Militantes, intelectuais e políticos começaram o dia com notas e vídeos contra a operação da Polícia Federal em relação a Lula. A deputada federal Jandira Freghali (PCdoB-RJ) declarou que a ação é "mais um passo na consolidação do Estado de exceção", ela chamou a população para defender o Estado democrático de direito: “contra as arbitrariedades. Golpe não!”.

O professor de direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Luiz Quadros, disse que o que ocorre no Brasil hoje é um golpe de Estado, “É óbvio que os golpes não serão feitos como eram na década de 60 ou 70 com tanques na rua. Os golpes hoje em dia são mais sofisticados”, disse.

De acordo com Quadros, o golpe no Brasil é ainda mais sofisticado, pois os poderes Judiciário e Legislativo se juntam para promover ações seletivas e prisões de quem não se tem provas concretas ou que era vítima de leve suspeita.

“Você não pode imputar crime a alguém sem prova, isso é crime e provas não há. E ai você vê uma operação com um monte de mandato de busca e apreensão, de prisão em massa sem provas”, afirmou o professor.

O senador Lindberg Farias (PT-RJ) declarou estar indignado com a ação e também chamou militantes e apoiadores da democracia a se indignarem junto a ele contra “as arbitrariedades da Polícia Federal”.

“Eu estou indignado! Não há motivo para essa condução coercitiva, eles poderiam chamar o ex-presidente para depor, mas não, eles querem a foto, eles querem dizer ‘nós prendemos o Lula’”, disse o senador.

Para o deputado estadual Rogério Corrêa (PT-MG), não se pode deixar que a direita avance contra a democracia. “Não é possível permitir que a direita dê um espetáculo desses através de uma mídia golpista”, afirmou. Para ele, “o tema da corrupção é mera desculpa, porque se quisessem combater a corrupção, estariam investigando todos. Sobre o senador Aécio Neves (PSDB-MG), por exemplo, há diversas provas já entregues ao doutor Janot, mas, para eles, não vem ao caso, porque o caso não é o combate à corrupção”.

 

>>Confira os vídeos de parlamentares e políticos:

 
Deputado estadual Rogério Corrêa (PT-MG) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Senador Lindberg Farias (PT-RJ) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Rui Falcão, presidente nacional do PT 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ex-deputado federal Florisvaldo Fier

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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