Mackenzie promove ato contra o golpe e a favor da democracia

Segundo os organizadores, a iniciativa também é uma ação de "resistência" dentro da própria universidade, uma vez que sua direção vetou a utilização de qualquer espaço para o ato.


22/03/2016

Da Redação

 
Estudantes de diversos cursos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, no centro de São Paulo (SP), marcaram para esta quarta-feira (23), um ato em defesa da democracia e contra o golpe. A manifestação está marcada para às 18 horas, na Rua Maria Antônia, que tem uma referência histórica para a instituição.

Segundo os organizadores do ato, a iniciativa também é uma ação de "resistência" dentro da própria universidade, uma vez que a direção da instituição que vetou a utilização de qualquer espaço da Universidade para a realização do ato.

 

Confira a íntegra do documento de convocação:

Mackenzistas pela Democracia
Nós, estudantes dos mais variados cursos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, viemos expressar nossa total preocupação com a situação política do país. Vivemos hoje a junção de três graves crises: econômica, política e social. A isso somam-se as recentes e equivocadas opções políticas do governo, mas também a uma sanha direitista em desestabilizar a democracia em nosso país. A estas atitudes, por parte do governo e da oposição, demonstramos nosso descontetamento.

Ao mesmo tempo, acompanhamos com muita preocupação as recentes ações que ferem a legalidade em nosso país. A Operação Lava Jato, que até o momento se apresentava como uma força tarefa para combater a corrupção, tem mostrado seletividade ao longo do processo e ao mesmo tempo vem atropelando os direitos fundamentais garantidos na Constituição.

O que na prática está em risco com essa situação? Primeiro, colocamos em risco nosso maior bem, a democracia, conquistada arduamente, na luta contra a ditadura militar, que ceifou centenas de vidas. Segundo, colocamos em risco os princípios e direitos consagrados democraticamente na Constituição Federal de 1988. Por fim, colocamos em risco até mesmo o combate à corrupção, luta na qual nos engajamos. O que temos visto é que sob este discurso de combate à corrupção, na verdade se escondem escusos interesses de partidos e setores empresariais, que buscam tão somente garantir seus interesses.

É nosso papel, como futuros profissionais engajados na causa social, mas também como cidadãos, zelarmos pelo Estado Democrático de Direito. Achamos que todos os políticos e empresários podem e devem ser investigados, julgados e punidos, sem distinção. Mas não é isso o que temos visto na Operação Lava Jato.

Diante desse quadro, convocamos os estudantes do Mackenzie a reescreverem a história do movimento estudantil desta instituição. Se no período da ditadura militar, destacaram-se os setores mais conservadores, organizados no “Comando de Caça aos Comunistas”, hoje temos toda uma geração que zela e defende a democracia. Seremos a geração que engrandecerá esta instituição, ao nos colocarmos do lado da legalidade, em momento tão delicado.

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