“O socialismo é uma doutrina triunfante”

Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras

 

12/07/2011

 

Joana Tavares

da Redação

 

Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores.

Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo como uma doutrina triunfante. “O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele”, afirma.

 

Brasil de Fato – Nos seus textos é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro?

Antonio Candido – Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico. Posso dizer o que tenho para dizer nas humanidades com a linguagem comum. Já no estudo das ciências humanas eu preconizava isso. Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para pode divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.

 

O seu método de análise da literatura parte da cultura para a realidade social e volta para a cultura e para o texto. Como o senhor explicaria esse método?

Uma coisa que sempre me preocupou muito é que os teóricos da literatura dizem: é preciso fazer isso, mas não fazem. Tenho muita influência marxista – não me considero marxista – mas tenho muita influência marxista na minha formação e também muita influência da chamada escola sociológica francesa, que geralmente era formada por socialistas. Parti do seguinte princípio: quero aproveitar meu conhecimento sociológico para ver como isso poderia contribuir para conhecer o íntimo de uma obra literária. No começo eu era um pouco sectário, politizava um pouco demais minha atividade. Depois entrei em contato com um movimento literário norte-americano, a nova crítica, conhecido como new criticism. E aí foi um ovo de colombo: a obra de arte pode depender do que for, da personalidade do autor, da classe social dele, da situação econômica, do momento histórico, mas quando ela é realizada, ela é ela. Ela tem sua própria individualidade. Então a primeira coisa que é preciso fazer é estudar a própria obra. Isso ficou na minha cabeça. Mas eu também não queria abrir mão, dada a minha formação, do social. Importante então é o seguinte: reconhecer que a obra é autônoma, mas que foi formada por coisas que vieram de fora dela, por influências da sociedade, da ideologia do tempo, do autor. Não é dizer: a sociedade é assim, portanto a obra é assim. O importante é: quais são os elementos da realidade social que se transformaram em estrutura estética. Me dediquei muito a isso, tenho um livro chamado “Literatura e sociedade” que analisa isso. Fiz um esforço grande para respeitar a realidade estética da obra e sua ligação com a realidade. Há certas obras em que não faz sentido pesquisar o vínculo social porque ela é pura estrutura verbal. Há outras em que o social é tão presente – como “O cortiço” [de Aluísio Azevedo] – que é impossível analisar a obra sem a carga social. Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja aquilo que os marxistas xingam muito que é ser eclético. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras.

 

Teria um tipo de abordagem estética que seria melhor?

Não privilegio. Já privilegiei. Primeiro o social, cheguei a privilegiar mesmo o político. Quando eu era um jovem crítico eu queria que meus artigos demonstrassem que era um socialista escrevendo com posição crítica frente à sociedade. Depois vi que havia poemas, por exemplo, em que não podia fazer isso. Então passei a outra fase em que passei a priorizar a autonomia da obra, os valores estéticos. Depois vi que depende da obra. Mas tenho muito interesse pelo estudo das obras que permitem uma abordagem ao mesmo tempo interna e externa. A minha fórmula é a seguinte: estou interessado em saber como o externo se transformou em interno, como aquilo que é carne de vaca vira croquete. O croquete não é vaca, mas sem a vaca o croquete não existe. Mas o croquete não tem nada a ver com a vaca, só a carne. Mas o externo se transformou em algo que é interno. Aí tenho que estudar o croquete, dizer de onde ele veio.

 

O que é mais importante ler na literatura brasileira?

Machado de Assis. Ele é um escritor completo.

 

É o que senhor mais gosta?

Não, mas acho que é o que mais se aproveita.

 

E de qual o senhor mais gosta?

Gosto muito do Eça de Queiroz, muitos estrangeiros. De brasileiros, gosto muito de Graciliano Ramos... Acho que já li “São Bernardo” umas 20 vezes, com mentira e tudo. Leio o Graciliano muito, sempre. Mas Machado de Assis é um autor extraordinário. Comecei a ler com 9 anos livros de adulto. E ninguém sabia quem era Machado de Assis, só o Brasil e, mesmo assim, nem todo mundo. Mas hoje ele está ficando um autor universal. Ele tinha a prova do grande escritor. Quando se escreve um livro, ele é traduzido, e uma crítica fala que a tradução estragou a obra, é porque não era uma grande obra. Machado de Assis, mesmo mal traduzido, continua grande. A prova de um bom escritor é que mesmo mal traduzido ele é grande. Se dizem: “a tradução matou a obra”, então a obra era boa, mas não era grande.

 

Como levar a grande literatura para quem não está habituado com a leitura?

É perfeitamente possível, sobretudo Machado de Assis. A Maria Vitória Benevides me contou de uma pesquisa que foi feita na Itália há uns 30 anos. Aqueles magnatas italianos, com uma visão já avançada do capitalismo, decidiram diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores pudessem ter cursos, se dedicar à cultura. Então perguntaram: cursos de que vocês querem? Pensaram que iam pedir cursos técnicos, e eles pediram curso de italiano para poder ler bem os clássicos. “A divina comédia” é um livro com 100 cantos, cada canto com dezenas de estrofes. Na Itália, não sou capaz de repetir direito, mas algo como 200 mil pessoas sabem a primeira parte inteira, 50 mil sabem a segunda, e de 3 a 4 mil pessoas sabem o livro inteiro de cor. Quer dizer, o povo tem direito à literatura e entende a literatura. O doutor Agostinho da Silva, um escritor português anarquista que ficou muito tempo no Brasil, explicava para os operários os diálogos de Platão, e eles adoravam. Tem que saber explicar, usar a linguagem normal.

 

O senhor acha que o brasileiro gosta de ler?

Não sei. O Brasil pra mim é um mistério. Tem editora para toda parte, tem livro para todo lado. Vi uma reportagem que dizia que a cidade de Buenos Aires tem mais livrarias que em todo o Brasil. Lê-se muito pouco no Brasil. Parece que o povo que lê mais é o finlandês, que lê 30 volumes por ano. Agora dizem que o livro vai acabar, né?

 

O senhor acha que vai?

Não sei. Eu não tenho nem computador... as pessoas me perguntam: qual é o seu... como chama?

 

E-mail?

Isso! Olha, eu parei no telefone e máquina de escrever. Não entendo dessas coisas... Estou afastado de todas as novidades há cerca de 30 anos. Não me interesso por literatura atual. Sou um velho caturra. Já doei quase toda minha biblioteca, 14 ou 15 mil volumes. O que tem aqui é livro para visita ver. Mas pretendo dar tudo. Não vendo livro, eu dou. Sempre fiz escola pública, inclusive universidade pública, então é o que posso dar para devolver um pouco. Tenho impressão que a literatura brasileira está fraca, mas isso todo velho acha. Meus antigos alunos que me visitam muito dizem que está fraca no Brasil, na Inglaterra, na França, na Rússia, nos Estados Unidos... que a literatura está por baixo hoje em dia. Mas eu não me interesso por novidades.

 

E o que o senhor lê hoje em dia?

Eu releio. História, um pouco de política... mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.

 

O senhor é socialista?

Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo... tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias... tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

 

Por quê?

Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

 

O socialismo como luta dos trabalhadores?

O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.

 

Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?

Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola... não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser... o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.

 

O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?

O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para o que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. No tempo que meu irmão Roberto – que era católico de esquerda – começou a trabalhar, eu era moço, ele era tido como comunista, por dizer que no Brasil tinha miséria. Dizer isso era ser comunista, não estou falando em metáforas. Hoje, a Federação das Indústrias, Paulo Maluf, eles dizem que a miséria é intolerável. O socialismo está andando... não com o nome, mas aquilo que o socialismo quer, a igualdade, está andando. Não aquela igualdade que alguns socialistas e os anarquistas pregavam, igualdade absoluta é impossível. Os homens são muito diferentes, há uma certa justiça em remunerar mais aquele que serve mais à comunidade. Mas a desigualdade tem que ser mínima, não máxima. Sou muito otimista. (pausa). O Brasil é um país pobre, mas há uma certa tendência igualitária no brasileiro – apesar da escravidão - e isso é bom. Tive uma sorte muito grande, fui criado numa cidade pequena, em Minas Gerais, não tinha nem 5 mil habitantes quando eu morava lá. Numa cidade assim, todo mundo é parente. Meu bisavô era proprietário de terras, mas a terra foi sendo dividida entre os filhos... então na minha cidade o barbeiro era meu parente, o chofer de praça era meu parente, até uma prostituta, que foi uma moça deflorada expulsa de casa, era minha prima. Então me acostumei a ser igual a todo mundo. Fui criado com os antigos escravos do meu avô. Quando eu tinha 10 anos de idade, toda pessoa com mais de 40 anos tinha sido escrava. Conheci inclusive uma escrava, tia Vitória, que liderou uma rebelião contra o senhor. Não tenho senso de desigualdade social. Digo sempre, tenho temperamento conservador. Tenho temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Minha grande sorte foi não ter nascido em família nem importante nem rica, senão ia ser um reacionário. (risos).

 

A Teresina, que inspirou um livro com seu nome, o senhor conheceu depois?

Conheci em Poços de Caldas... essa era uma mulher extraordinária, uma anarquista, maior amiga da minha mãe. Tenho um livrinho sobre ela. Uma mulher formidável. Mas eu me politizei muito tarde, com 23, 24 anos de idade com o Paulo Emílio. Ele dizia: “é melhor ser fascista do que não ter ideologia”. Ele que me levou para a militância. Ele dizia com razão: cada geração tem o seu dever. O nosso dever era político.

 

E o dever da atual geração?

Ter saudade. Vocês pegaram um rabo de foguete danado.

 

No seu livro “Os parceiros do Rio Bonito” o senhor diz que é importante defender a reforma agrária não apenas por motivos econômicos, mas culturalmente. O que o senhor acha disso hoje?

Isso é uma coisa muito bonita do MST. No movimento das Ligas Camponesas não havia essa preocupação cultural, era mais econômica. Acho bonito isso que o MST faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia... Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: “ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?”. Eu disse pra ele: “não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra”. Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. Ele não sabe ler, não sabe escrever, não lê jornal. A humanização moderna depende da comunicação em grande parte. No dia em que o trabalhador tem o rádio em casa ele é outra pessoa. O problema é que os meios modernos de comunicação são muito venenosos. A televisão é uma praga. Eu adoro, hein? Moro sozinho, sozinho, sou viúvo e assisto televisão. Mas é uma praga. A coisa mais pérfida do capitalismo – por causa da necessidade cumulativa irreversível – é a sociedade de consumo. Marx não conheceu, não sei como ele veria. A televisão faz um inculcamento sublimar de dez em dez minutos, na cabeça de todos – na sua, na minha, do Sílvio Santos, do dono do Bradesco, do pobre diabo que não tem o que comer – imagens de whisky, automóvel, casa, roupa, viagem à Europa – cria necessidades. E claro que não dá condições para concretizá-las. A sociedade de consumo está criando necessidades artificiais e está levando os que não têm ao desespero, à droga, miséria... Esse desejo da coisa nova é uma coisa poderosa. O capitalismo descobriu isso graças ao Henry Ford. O Ford tirou o automóvel da granfinagem e fez carro popular, vendia a 500 dólares. Estados Unidos inteiro começou a comprar automóvel, e o Ford foi ficando milionário. De repente o carro não vendia mais. Ele ficou desesperado, chamou os economistas, que estudaram e disseram: “mas é claro que não vende, o carro não acaba”. O produto industrial não pode ser eterno. O produto artesanal é feito para durar, mas o industrial não, ele tem que ser feito para acabar, essa é coisa mais diabólica do capitalismo. E o Ford entendeu isso, passou a mudar o modelo do carro a cada ano. Em um regime que fosse mais socialista seria preciso encontrar uma maneira de não falir as empresas, mas tornar os produtos duráveis, acabar com essa loucura da renovação. Hoje um automóvel é feito para acabar, a moda é feita para mudar. Essa ideia tem como miragem o lucro infinito. Enquanto a verdadeira miragem não é a do lucro infinito, é do bem-estar infinito.

 

<QUEM É>

Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, concluiu seus estudos secundários em Poços de Caldas (MG) e ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, no curso de Ciências Sociais. Com os amigos Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e outros fundou a revista Clima. Com Gilda de Mello e Souza, colega de revista e do intenso ambiente de debates sobre a cultura, foi casado por 60 anos. Defendeu sua tese de doutorado, publicada depois como o livro “Os Parceiros do Rio Bonito”, em 1954. De 1958 a 1960 foi professor de literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1961, passou a dar aulas de teoria literária e literatura comparada na USP, onde foi professor e orientou trabalhos até se aposentar, em 1992. Na década de 1940, militou no Partido Socialista Brasileiro, fazendo oposição à ditadura Vargas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Colaborou nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo, resenhando obras literárias. É autor de inúmeros livros, atualmente reeditados pela editora Ouro sobre Azul, coordenada por sua filha, Ana Luisa Escorel.


Publicado originalmente na edição 435 do Brasil de Fato.

Comments

Texto interessante. Comentários, nem tanto.

Gostei do texto. Foi bom conhecer um pouco da história de Antonio Candido de Mello. O que me entristeceu foi ver os comentários. As pessoas se apegam à uma ideologia (ou ódio à ela) à ponto de perder o bom senso. Eu recomendo a leitura, mas só pra quem sabe ler e interpretar.

“O socialismo é uma doutrina triunfante”, Prof. Antonio Candido

O prof. Antonio Candido deveria se limitar a falar de literatura, de que entende. Quando ele defende a "mais valia" de Marx e diz que gostou do que viu em Cuba, mostra que de economia não entende nada. Além de elogiar um regime que há meio século escraviza o povo cubano e o leva à miséria, o que mostra sua cegueira causada pela ideologia marxista. Não posso admitir que um homem culto não se revolte ao ver a privação total de liberdade de um povo que vive num cruel estado policial, sendo o ditador um genocida de seu próprio povo, e que o trata como se fossem crianças, filhas de um pai extremamente severo, que é o dono do país.A mais valia de Marx é uma idéia estúpida e eu provo. Basta você tomar o balanço de uma empresa brasileira e dobrar (nem precisa trplicar não) o valor da folha de pagamento dos trabalhadores da empresa. Você verá que o resultado do balanço entra no vermelho, não só some o lucro como o resultado ficará negativo, ou deficitário e logo a empresa irá à falência. Qundo acabou a II guerra Mundial, a Inglaterra elegeu o Partido Trabalhista, com seu socialismo fabiano, que é moderado, mas estatizou quase todas as empresas. Em pouco mais de duas décadas a economia estava destruída, com alta inflação e alto desemprego. O Partido Conservador (liberal clássico) voltou ao poder e levou a deputada da Câmara dos Comuns Margaret Thatcher à chefia do governo como Primeira Ministra. Margaret Thatcher, a Dama de Ferro Em 1975 a Baronesa Thatcher, que era deputada à Câmara dos Comuns,  se elegeu líder do seu Partido Conservador, sendo a primeira mulher a liderar um dos principais partidos britânicos, e em 1979 se tornou a primeira mulher a ser primeiro-ministro do governo da Inglaterra. Frequentou os cursos e palestras, além de ler os livros e panfletos publicados por dois think tanks (bancos de idéias) inspirados nas idéias liberais clássicas de Friedrich Hayek. O Institute of  Economic Affairs e o Adam Smith Institute, fundados pelo empresário Antony Fisher depois que este leu ‘O Caminho da Servidão’ e foi conversar com o autor, Prof. Hayek.  Margaret Thatcher  convidou o segundo deles, Adam Smith Institute  para ajudá-la a elaborar seu plano de governo, que privatizou as estatais e desregulamentou a economia do país. Ao liderar o governo britânico, Thatcher estava determinada a reverter declínio de seu país. Suas políticas econômicas foram baseadas na desregulamentação do setor financeiro, na flexibilização do mercado de trabalho e na privatização das empresas estatais. “Sua popularidade esteve baixa em meio à recessão econômica iniciada com a Crise do petróleo de 1979; no entanto, uma rápida recuperação econômica, além da vitória britânica na Guerra das Malvinas, fizeram ressurgir o apoio necessário para sua reeleição em 1983.” (Conf. Wikipedia) Tendo conseguido  privatizar os mastodontes estatais, vendendo ações aos próprios empregados e na Bolsa de Valores Londres, logrou também quebrar a espinha dorsal do sindicalismo predador e com esse conjunto de medidas debelou a inflação, conseguiu aumentar os investimentos privados e aumentou a produtividade, levando a Inglaterra a uma das maiores taxas de crescimento do PIB na Europa. O salário médio dos trabalhadores britânicos ultrapassou o dos alemães. Thatcher foi reeleita para um terceiro mandato em 1987, mas sua oposição à criação da União Europeia lhe fez perder apoio em seu partido, renunciando aos cargos de primeira-ministra e líder do partido em 1990. Seu grande legado liberalizante, tal como o do presidente Ronald Reagan, nos Estados Unidos, foi a recuperação da economia de seu país, desmantelada por duas décadas de socialismo. O boom pós-Reagan durou a ponto de beneficiar o presidente Bill Klinton que, graças aos bons números da economia que herdou do antecessor, se pôde livrar dos escândalos imobiliário em seu Estado, o Kansas, e dos escândalos sexuais na Casa Branca, com a estagiária Monica Lewinsky. No continente europeu, também no pós-guerra, vários países adotaram medidas socialistas na crença de que o estado é melhor do que o mercado para produzir e distribuir riqueza. O resultado foi o paulatino crescimento das dispendiosas burocracias estatais, supostamente para administrar a arrecadação de impostos com que beneficiar os menos favorecidos, idosos, crianças e incapazes. E as respectivas burocracias nunca se esquecem de primeiro favorecer, com aumentos salariais e benefícios para elas próprias,  ficando só o que sobra para o povo. Com isso, o crescimento das despesas de custeio forçou a paulatina elevação dos impostos, até o limite insuportável para as empresas privadas.  Após o que os diversos estados nacionais europeus recorreram a empréstimos de seus bancos privados, elevando temerariamente os índices da dívida pública sobre os seus respectivos PIBs. Acresce que a União Européia fez a união monetária dos países membros, mas se esqueceu de ao mesmo tempo fazer a união fiscal deles. A consequência foi o caos monetário em vários países membros. Foi nesta situação que a Europa foi atingida pelo tsunami monetário da quebra do Banco Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, com 158 anos de fundado. Esse banco aplicou milhões de dólares nas subprimes, ou duplicatas de segunda mão do mercado imobiliário americano, sujeito ainda às mesmas desastradas intervenções do estado que causaram a quebra da Bolsa de Nova York em 1929 e a Grande Depressão dos anos 30, a que nos referimos na primeira parte deste artigo, duplicatas de segunda mão cujo valor se evaporou, deixando milhares de bancos e investidores americanos e europeus  no prejuízo. O pedido de concordata do Lehman Brothers, que não conseguiu um bail-out, ou resgate-socorro do Federal Reserve, o banco central americano, provocou uma onda de choque terrível na economia mundial.   Os países europeus mais individados, como a Grécia (o campeão), a Espanha, Irlanda, Portugal e outros menores pediram socorro ao Banco Central Europeu, mas a Alemanha, carro-chefe da economia europeia, impôs duras condições para que esses países da zona do euro recebessem ajuda, tendo de apertar fortemente o cinto, cortar despesas a fundo, o que elevou ainda mais o desemprego e a recessão. Diante desse quadro, nas duas partes deste artigo, como é que se pode falar em crise do capitalismo? Trata-se, como se viu, de crise do socialismo, pois é o causador da crise, sempre resultante da indevida intervenção do estado na economia e perturbando seriamente o bom funcionamento do mercado.   E essas intervenções do estado são sempre aproveitadas pelos agentes econômicos privados, seja para se defenderem das perturbações causadas pela intervenção estatal, seja para aproveitar-se delas para obter lucros extraordinários, aumentando as distorções perturbadoras ao equilíbrio econômico geral.                  

tenho a PESADA impressão que

tenho a PESADA impressão que não leste o texto... ele não defende o socialismo utópico, nem cuba, mas sim a doutrina de luta de classes, reinvindicação de direitos, pois na opinião dele, socialismo como acontece em cuba, russia, não funcionam. Mas agora volte a ver seu video do olavo de carvalho, onde tudo se resume a: socialismo = vermelho = demonio..

Socialismo é uma Bosta....

Adoro o Capitalismo, o socialismo é algo utópico, quem defende o socialismo é trouxa, agora porquê? Porque é "uma coisa" que nunca dará certo, se desse certo, Rússia, China, Cuba por mais que são bem vistas hoje, é graças ao capitalismo, mesmo que discretamente, hoje não mais. Cada um pensa de uma forma, respeito, um pouco, os retardados que gostam do socialismo kkkkk Porém, essas pessoas são iguais cavalos com "tapa" no olho, olhando apenas o que lhes interessa, mas não a realidade como um todo. Se o socialismo um dia der certo, me desenterre, me tire do caixão porque vou ressucitar só para todos que quiserem cuspirem na mina cara, ok. Abraço.

Ah, tá certo, o capitalismo

Ah, tá certo, o capitalismo tem dado mto certo mesmo, nossa!

Você leu o mesmo que eu?

Cara, você leu o título da matéria e saiu escrevendo merda... pára de ser imbecil e leia o texto todo...

A questão é: e o capitalismo

A questão é: e o capitalismo deu certo? E pra quem?Pelo que vc escreveu nem leu realmente o artigo na íntegra.

Socialismo é uma bosta

Que idiota é esse? Não abe nem escrever, certamente nunca leu nada além de legendas de filmes idiotas e quer ter opinião. Deplorável!

Desenvolvimento Nacional ou Filosofia do Girino

O caráter social do capitalismo é a acumulação autorreplicante de capital, e para dar vazão, busca transformar tudo em mercadorias.Desta forma, os direitos sociais não se engendram com uma lógica capitalista; a matiz de racionalidade deles não é capitalista. São contraditórios ao capitalismo.Capitalistas fazem concessões aos direitos sociais para evitar das outras classes deslegitimarem o regime e quererem subverter o poder para algo alternativo. Tanto é assim que logo que ruiu o muro, partiram com toda a voracidade contra toda lógica de bem público, direito social e hipoteca social embutida na propriedade. Hoje estão divididos, creem que necessitam solapar isto, mas voltaram a ter receio de fazê-lo.A questão é não transferir a "filosofia do girino" para a dimensão do sistema interestatal: pensar no "desenvolvimento nacional", esquecendo que o funil do sistema é apertado e cabem poucos estados. Para haver um núcleo orgânico, deve ter periferia. 

Quando Candido fala em

Quando Candido fala em atingir o nível de alguns países europeus, ele quis dizer Suécia e Dinamarca, países com praticamente nenhuma desigualdade, onde todos têm as mesmas oportunidades. E isso é o que ele chama de Socialismo, não importa o sistema econômico, mas sim as condições de vida da população. Dessa maneira, todos podem fazer parte da economia e governo de maneira digna. Concordo plenamente!

socialismo ideologia dominante

 Com todo respeito a contribuição progressista do Sr.Antonio Candido,mas acho estranho criticar a posição de alguns socialistas de pregar um igualitarismo radical e dizer que a justiça na pessoa  que contribui mais ganhar mais. Sei que o socialismo tem como principio a cada um de acordo com a sua contribuição,este principio foi aplicado nos paises socialistas,tanto que os sovieticos aplicaram este principio,manifestado na diferençãs de salarios(não tenho certeza mas ouvi falar de uma variação de 100 rublos a 10.000 rublos),além de estimulos materiais como premios de bonos salariais a operarios que atingissem a meta estabelecida,casa no mar negro a cientistas que fizesse uma descoberta que contribuisse para com o coletivo.O que não havia era a permissaõ para se ter empregados e ganhar dinheiro com o trabalho de outros(mais-valia),ou de ser dono de uma industria ou de grande fazenda( em varios paises do socialismo real as pequenas e medias propriedades de terra foram toleradas).   

Alem do mais como maquiavel já falava em o principe,a unica coisa que um governante não pode fazer ,e que as pessoas afetadas e suas futuras gerações não esqueceram e tentaram sempre  odestruir é se  for se mexer com o dinheiro das pessoas,e para evitar que burgueses afetados por reformas socialistas destruam o socialismo existe a ditadura do proletariado,que com certeza é mais democratica que a maior democracia burguesa,e que foi aplicada com deformações,mas voces acham que é simples lidar como lidou fidel com mais de 600 tentativas de assassinato a sua pessoa,ou os sovieticos que estavam pela primeira vez na historia tentando construir algo que so existia na teiria,ao mesmo tempo que exercitos de 11 paises europeus tentaram invadilos,o proprio lenin antes de decretar o chamado terror vermelho sofreu um atentado que o feriu gravemente(imaginem o que aconteceria nos E.U.A se socialistas ferissem gravemente em um atendado o presidente).Sera que é correto em nome de uma democracia de faz de conta como a nossa que CUBA permita que partidos aliados dos E.U.A(PAIS EM GUERRA A SOBERANIA DE CUBA)atuem livremente no pais,aliados de uma potencia estrangueira que quer submeter o pais .Desde  que o capitalismo voltou na russia ,alem da maior regressão economica já vista em um pais que não estava em guerra na história,provocou devido a fome e a outras mazelas vindas com  este a morte de 15%da população que não teriam sido mortos se Gorbachev nâo tivesse querido democratizar o socialismo,sera que as pessoas tem direito a escolher um sistema assassino em nome da democracia ocidental,sistema que gera uma sociedade em que(como eu já testemunhei e so não morreu por que eu a juntei semi-desmaiada a levei para casa e a dei o que comer)crianças morrem de fome na calçada enquanto dezenas de pessoas passam por ela a ignorando e não tendo a decencia de gastar um pouco de tempo para evitar sua morte por que, como se fala, isto não é problema meu(LEMBRAR QUE PARTIDOS COMUNISTAS SÓ NÃO FORAM PERSIGUIDOS NAS DEMOCRACIAS OCIDENTAIS QUANDO NÃO REPRESENTAVAM REAIS AMEAÇAS).

EU TERIA MUITO MAIS COISAS PARA FALAR MAS ACHO QUE VOU FICAR POR AQUI,RECOMENDO A LEITURA DE LENIN

Ufa! Ainda bem que parou.

Ufa! Ainda bem que parou. Nunca vi tanta merda junta... Todo esse pessoal que defende socialismo, marxismo e qualquer outra bosta advinda destas idéias deveria ganhar um prêmio: Deportação compulsória para algum país socialista! Podem até escolher o país, amigos, mas será pra vida toda, ok?. Topam? Sério, vão estudar e parem de cacarejar sobre o que ouviram de algum "intelectual" (fanático) dessa laia. Busquem a verdade dos fatos e essa vos libertará da militância adestrada.

socialismo ideologia dominante

 Com todo respeito a contribuição progressista do Sr.Antonio Candido,mas acho estranho criticar a posição de alguns socialistas de pregar um igualitarismo radical e dizer que a justiça na pessoa  que contribui mais ganhar mais. Sei que o socialismo tem como principio a cada um de acordo com a sua contribuição,este principio foi aplicado nos paises socialistas,tanto que os sovieticos aplicaram este principio,manifestado na diferençãs de salarios(não tenho certeza mas ouvi falar de uma variação de 100 rublos a 10.000 rublos),além de estimulos materiais como premios de bonos salariais a operarios que atingissem a meta estabelecida,casa no mar negro a cientistas que fizesse uma descoberta que contribuisse para com o coletivo.O que não havia era a permissaõ para se ter empregados e ganhar dinheiro com o trabalho de outros(mais-valia),ou de ser dono de uma industria ou de grande fazenda( em varios paises do socialismo real as pequenas e medias propriedades de terra foram toleradas).   

Alem do mais como maquiavel já falava em o principe,a unica coisa que um governante não pode fazer ,e que as pessoas afetadas e suas futuras gerações não esqueceram e tentaram sempre  odestruir é se  for se mexer com o dinheiro das pessoas,e para evitar que burgueses afetados por reformas socialistas destruam o socialismo existe a ditadura do proletariado,que com certeza é mais democratica que a maior democracia burguesa,e que foi aplicada com deformações,mas voces acham que é simples lidar como lidou fidel com mais de 600 tentativas de assassinato a sua pessoa,ou os sovieticos que estavam pela primeira vez na historia tentando construir algo que so existia na teiria,ao mesmo tempo que exercitos de 11 paises europeus tentaram invadilos,o proprio lenin antes de decretar o chamado terror vermelho sofreu um atentado que o feriu gravemente(imaginem o que aconteceria nos E.U.A se socialistas ferissem gravemente em um atendado o presidente).Sera que é correto em nome de uma democracia de faz de conta como a nossa que CUBA permita que partidos aliados dos E.U.A(PAIS EM GUERRA A SOBERANIA DE CUBA)atuem livremente no pais,aliados de uma potencia estrangueira que quer submeter o pais .Desde  que o capitalismo voltou na russia ,alem da maior regressão economica já vista em um pais que não estava em guerra na história,provocou devido a fome e a outras mazelas vindas com  este a morte de 15%da população que não teriam sido mortos se Gorbachev nâo tivesse querido democratizar o socialismo,sera que as pessoas tem direito a escolher um sistema assassino em nome da democracia ocidental,sistema que gera uma sociedade em que(como eu já testemunhei e so não morreu por que eu a juntei semi-desmaiada a levei para casa e a dei o que comer)crianças morrem de fome na calçada enquanto dezenas de pessoas passam por ela a ignorando e não tendo a decencia de gastar um pouco de tempo para evitar sua morte por que, como se fala, isto não é problema meu(LEMBRAR QUE PARTIDOS COMUNISTAS SÓ NÃO FORAM PERSIGUIDOS NAS DEMOCRACIAS OCIDENTAIS QUANDO NÃO REPRESENTAVAM REAIS AMEAÇAS).

EU TERIA MUITO MAIS COISAS PARA FALAR MAS ACHO QUE VOU FICAR POR AQUI,RECOMENDO A LEITURA DE LENIN,EsquerdismoDoença Infantil do. Comunismo. 

O socialismo é uma doutrina triunfante!!!

 

Cada vez que eu leio um novo texto de um socialista eu reforço minha opinião que a mente socialista existe em um mundo contraditório fora da realidade transcendente...

O Candido atribui ao socialismo todas as coisas boas que existem nos países desenvolvidos capitalistas (!), mesmo que tais nações jamais tenham sido socialistas, foram sempre democracias liberais.

Por exemplo, para o socialista Candido a igualdade social e excelente qualidade de vida que existe na liberal Australia foi obra do socialismo! rsrs

 

Em contrapartida... Candido atribui o que existiu na Rússia socialista marxista-leninista, que foi muito ruim - ao capitalismo e não ao socialismo que lá existia!

 

É uma coisa ridícula... o socialismo existiu em 50 nações do mundo no século XX, todas foram uma porcaria em liberdade e igualdade e principalmente em desenvolvimento, mas.... o "intelectual" socialista, em sua alienação, não atribui isso ao socialismo, atribui ao capitalismo! 

E para completar atribui tudo de bom que a democracia liberal (capitalismo) produziu - ao socialismo!

Esta é a alienação típica de "intelectuais" socialistas depois da falência do socialismo no mundo.

 

Camarada, o problema  que é

Camarada, o problema  que é difícil pensar além da realidade, por isso ficamos no mesmo marasmo de sempre.  

Sem sutileza

Acho que você leu e não entendeu o que o Antônio Cândido quer dizer com "socialismo". Coloco entre aspas porque, pelo visto, você não tem a sutileza necessária para perceber que ele se refere às preocupações com o social como socialismo, e não aquela doutrina ateia-dogmática dos que se diziam seguidores de Marx, que numa visão tão estreita e maniqueísta quanto a sua, foi implementada nos países do mundo.Antes de criticar, veja se estuda, não pra aprender algo específico, mas para aprimorar sua interpretação de textos que não está nem no nível de um vestibular.

Ufa! Ainda bem que parou.

Ufa! Ainda bem que parou. Nunca vi tanta merda junta... Todo esse pessoal que defende socialismo, marxismo e qualquer outra bosta advinda destas idéias deveria ganhar um prêmio: Deportação compulsória para algum país socialista! Podem até escolher o país, amigos, mas será pra vida toda, ok?. Topam? Sério, vão estudar e parem de cacarejar sobre o que ouviram de algum "intelectual" (fanático) dessa laia. Busquem a verdade dos fatos e essa vos libertará da militância adestrada. Quando vocês, por um ato de honestidade intelectual, alcançarem que Marx era sim marxista, finalmente verão que os seus seguidores realmente fizeram o que o homem mandou, meus caros. Eu lhes garanto que neste exato momento vocês vão cair na real, ou seja, vão rejeitar todo esse engodo chamado socialismo. É claro, se forem honestos.

   De fato, a ideologia

   De fato, a ideologia social atual foi sim, em grande parte, obra do socialismo. O "estado do bem-estar europeu" e suas preocupações sociais foram estimuladas pelos EUA para tentar evitar que a Europa Ocidental cedesse ao avanço do movimento comunista, que era vista pelos europeus como uma saída para a miséria e a pobreza em que a Europa se transformara no pós-guerra. Sem o surgimento do socialismo, a Europa Ocidental, provavelmente, nunca teria sido financiada pelos americanos e sim, uma região desolada pela guerra. Portanto, podemos concluir que o socialismo foi um exemplo que o mundo seguiu, para que, paradoxalmente... pudesse conter os avanços comunistas. Caso contrário, as grandes crises econômicas e a crescente e feroz desigualdade social predominantes nas sociedades capitalistas atuais, seriam apenas uma pequena amostra de quão injusto seria o mundo se Lênin não tivesse existido...

De fato, se você estudar um

De fato, se você estudar um pouco, verá que: 1) o Welfare State europeu foi obra de partidos de inspiração socialista: e tais benefícios foram trazidos não pelo fato de serem democracias liberais, mas Estados que permitiam o mínimo de mobilização popular em defesa de medidas de inspiração socialista; 2) a URSS e o "Bloco Socialista" nunca foram socialistas, devido à ausência de socialização do poder político e devido à limitação socialização da economia, restrita à estatização: a URSS e os países do "socialismo real" foram formas variadas de "capitalismo de Estado".

"1) o Welfare State europeu

"1) o Welfare State europeu foi obra de partidos de inspiração socialista:"Não. Foi proposto por Bismark e foi apoiado pelos conservadores, os marxistas não apoiaram essa idéai por que queriam literamente ver o "circo pegar fogo".Estude mais, em fontes idóneas, por favor!

O socialismo é uma doutrina triunfante!!!

Bravo, bravíssimo!!!

Muito pertinente sua observação sobre o WFS europeu. Todos os que leram um pouco mais e se deixaram levar menos pelos meios de comunicação percebem que Keynes usurpou muitas das ideias socialistas para formular sua teoria e, assim, sugerir o WFS.

Do mesmo modo, quem estudou um pouco mais sabe que os regimes citados não foram socialismo. Ao revés, alviltaram a teoria socialista.

Hasta la victoria siempre!!!

O socialismo é uma doutrina triunfante!!!

É uma pena que ainda existam analfabetos funcionais como Vossa Senhoria: decodificam, mas não entendem. Isso, definitivamente, não é ler. Vossa Senhoria não leu a entrevista. Que pena!!!

Outra pena: usar a palavra intelectual de modo tão depreciativo, com o uso de aspas, a sugerir ironia. Como se ser intelectual fosse um defeito, não uma virtude. Aliás, para pragmáticos de plantão, virtude mesmo é se deixar levar pela onda capitalista, sem fazer qualquer reflexão sobre o momento histórico em que se vive, sem pensar. Apenas viver o momento, sem saber o que ocorreu nos séculos anteriores para trazer a humanidade ao estágio atual. E, assim, sem refletir sobre até aonde a humanidade será levada.

Para pessoas como Vossa Senhoria, o capitalismo é o fim da história, não é mesmo? Talvez seja também o início. Talvez não tenha havido a História Antiga e seu modo de produção escravista; talvez não tenha havido a Idade Média e seu modo de produção baseada no servilismo. Talvez, na História Moderna e na Contemporânea, o estágio atual de reconhecimento, de positivação de luta pela efetivação de direitos seja algo que sempre existiu, e nunca tenha sido objeto de lutas.

Talvez nunca se tenha dito que lutar por direitos de negros, mulheres, aleijados e tantos outros grupos vulneráveis era "coisa de comunistas".

o socialismo...

 É verdade,o socialismo é triunfante.É VERDADE...

A ditadura cubana de Raul

A ditadura cubana de Raul Castro já anunciou a privatização de vários setores da economia. Inclusive a propriedade e compra de terras serão permitidas. Podemos interpretar tais medidas como um reconhecimento e constatação de que o socialismo ou comunismo não passa de ilusão e, definitivamente, não deu e nem dará certo em nenhum lugar do mundo. Só sendo muito ingênuo para não perceber isto; que já foi mais que provado pela História.

Nós brasileiros devemos lutar é para qualificar a nossa democracia; de modo que o país possa dá igualdade de oportunidade para todos.

É óbvio que o sistema brasileiro deixa muito a desejar. Devemos tentar melhorar o país mas sem nos deixar levar pelo PROSELITISMO. Pelo fanatismo e fundamentalismo ideológico. Democracia e liberdades só existem no liberalismo, no capitalismo. Regimes que se dizem "comunistas e socialistas" só se fundamentam com autoritarismo e ditaduras. A queda do muro de Berlim provou que o socialismo ou comunismo foi a maior mentira e enganação que já se viu em toda a História.

Em primeiro lugar, Cuba nunca

Em primeiro lugar, Cuba nunca foi socialista. Nem a URSS, nem nenhum país do Leste Europeu, etc etc etc...

Se você diz que isso é socialismo, não sabe então o que é socialismo. Socialismo é a extensão da democracia e todas as instâncias da vida social, sobretudo ao processo produtivo e ao acesso à riqueza. Isto é, propriedade social da riqueza, controle operário autogestionário do processo produtivo e democracia direta no cotidiano, desde as tomadas de decisão no bairro, no local de trabalho, até as tomadas de decisão a nível nacional. Poder operário, isso é socialismo. É uma democracia total e irrestrita, o tempo todo.

 O que já foi mais do que provado pela história é que o capitalismo têm que destruir constantemente a possibilidade dessa democracia direta, irrestrita e constante (socialismo) seja num país capitalista liberal, fascista ou capitalista de Estado (URSS, Cuba, China, etc.) É por isso que precisamos criar a autogestão social para combater o capitalismo, algo que já foi feito várias vezes na história, incontestavelmente: a última vez, em Portugal, na Revolução dos Cravos.

O socialismo é mais do que possível porque já foi aplicado na Comuna de Paris, na Revolução Russa, várias vezes... é uma possibilidade real e imediata, basta a organização dos trabalhadores como classe e entidade política independente das outras classes e do Estado capitalista. Sempre que as lutas sociais emergem isso ocorre: é só combater a oposição a esse processo e levar a luta às últimas consequências.

Bom, depois desta pequena aula de socialismo vou te dizer uma coisa: a democracia burguesa que você tanto defende é exatamente um dos maiores opositores do socialismo e sempre foi, tanto que os "democratas" burgueses não pensam duas vezes em fazer uso de medidas autoritárias e repressivas quando a classe trabalhadores transcende os limites da democracia burguesa, ou quando os pobres ameaçam romper com a "ordem" (do capital)... Já vi muitos democratas convictos chamando a tropa de choque pra reprimir manifestações de donas de casa em terminais de transporte coletivo.

A democracia só é conveniente para garantir o consenso... garantir a exploração do capitalismo. Quando a exploração fica ameaçada, o capitalista mais democrata se torna um fascista ou coisa pior.

Se você acha que o

Se você acha que o capitalismo é o mundo da liberdade e da democracia, o que você está fazendo num site de notícias vinculado a movimentos sociais de esquerda (pretensamente socialistas)?

Não seria melhor ler as notícias da Revista Veja (mais neoliberal, impossível)?

CUBA NUNCA FOI SOCIALISTA, AMIGO...

Em primeiro lugar, Cuba nunca foi socialista: sempre foi um "capitalismo de Estado". Não pretendo que alguém como você entenda dessas coisas, mas pelo menos vou explicar didaticamente para que ninguém aqui confunda as coisas.

Socialismo é controle pelos trabalhadores dos meios de produção, é autogestão operária, é produção de riquezas segundo as necessidades dos trabalhadores, para os trabalhadores, pelos trabalhadores, num regime de democracia direta e participativa. Nada disso houve em Cuba ou na URSS, China, etc... Estatitazação dos meios de produção não é socialismo.

Porque as pessoas pensam que é socialismo? Porque a URSS e os EUA ("o paraíso das liberdades civis e da democracia") diziam que era: a URSS para conquistar apoio dos revolucionários mundo afora; os EUA para inspirar desprezo pelos socialismo.

Vincular esses regimes autoritários ao socialismo sempre foi uma tática das direitas. Ao que parece bastante eficaz, já que você pensa que isso é socialismo. Leia Tragtenberg meu amigo, leia Pannekoek, os comunistas conselhistas, Debord, os anarquistas, aí você saberá o que sempre foi o projeto socialista autogestionário e democrático. Ao invés disso você fica reproduzindo o discurso da mídia corporativa, que, obviamente, nada tem a dizer de bom sobre socialização da riqueza e do poder da sociedade.

Quanto à liberdade no capitalismo, fala sério... Não é preciso ser muito perspicaz para entender que muita gente no mundo, os proletários, só são "livres" de exercer o controle sobre suas própria vidas. Nesse sentido, conforme Marx, são "livres como um pássaro".

Socialismo é a práxis revolucionária para que o trabalhador tenha controle sobre si mesmo e sobre o que produz, não individualmente, mas como classe social dominante.

Todos podem ver que o PROSELITISMO explica muito melhor a realidade do que a reprodução acrítica do discurso direitista que vemos por aí.

Estude, seja "proselitista": não sei qual é a história que você estuda, mas não é a minha... afinal, todos os acadêmicos de história relativamente esclarecidos sobre as questões sociais da modernidade (que é o meu caso) sabem que socialismo é poder operário e não estatização feita por burocratas/tecnocratas.

Concordo com tudo o que disse

Concordo com tudo o que disse o Antonio Candido. Mas como sempre o radicalismo dá as caras.

O Brasil deve caminhar de modo que sua população atinja o nível de vida de alguns países europeus. O "cientificismo" sobre o que é ou não é o socialismo soa como mera babaquice.

O Brasil já não está melhor exatamente por culpa do radicalismo ideológico; as pessoas não protestam por coisas concretas. Mas sim por babaquices ideológicas que não servem para nada a não ser confundir a população.

Como disse Candido igualdade absoluta nunca existiu e nem vai existir nunca,  e nem deve. Porque defender isso é puro PROSELITISMO.

Eu me considero de esquerda, mas não da esquerda alucinada e babaca.

"O Brasil deve caminhar de

"O Brasil deve caminhar de modo que sua população atinja o nível de vida de alguns países europeus". Será que tudo o que assistimos ultimamente (o colapso do capitalismo ocidental e civilizado europeu) não serve como modelo a ser ignorado? Já fomos colonizados por um moderno sistema que se revela a cada dia mais perverso e desigual, e isso não é de hoje. E a democracia? Concordo com Candido - devemos buscar alcançar a melhoria e o máximo de igualdade em tudo, por mais que realmente seja difícil -, mas a democracia hoje é uma máscara ilusória para uma realidade onde achamos que somos sujeitos, que somos livres e protagonistas de nossas vidas. Realmente, a URSS e Cuba não foram socialistas de fato, mas a tentativa foi mais que válida. Com o seu fim e com o aumento daqueles desiludidos e mal formados que jogam pedra nessa experiência, fica cada vez mais difícil discutir a igualdade no mundo. E o socialismo está aí como uma boa ideia que sempre precisa ser pensada, revista e disponível a todos; o mais importante é discuti-lo e ver o que ainda é válido para os dias de hoje e o que precisa ser adaptado para a realidade desse novo século.

Realmente foram experiências

Realmente foram experiências válidas (da URSS etc.)... Quanto a isto não há dúvidas: experimentos diversos foram realizados, alguns com sucesso, outros não. Mas o que não dá mais pra fazer é tentar seguir o mesmo modelo: como alguns jovens engajados que se espelham no modelo cubano, por exemplo, numa atitude saudosista em relação a líderes revolucionários como Che Guevara. O mais importante é que se volte os olhos para as experiências autogestionárias derrotadas: elas foram derrotadas muitas vezes pelas outras correntes socialistas, não-autogestionárias, que disputavam pelo espaço para realizar seus experimentos revolucionários (aquelas vinculadas aos PCs).

Você se considera de esquerda

Você se considera de esquerda mas achar que o socialismo não passa de ilusão? Parabéns pela coerência!

O nível de vida de países

O nível de vida de países europeus? Vide Inglaterra! Vide Grécia, Itália! Mais uma vez, com as crises do capitalismo, os trabalhadores é que pagam o preço pelos problemas das corporações e quando partem para o confronto, 4 anos de cadeia por quebrar uma vidraça!

O mito de que o nível de vida dos países europeus é tão bom assim é nada mais do que isso, um mito. Há bastante tempo que nos países europeus o neoliberalismo confronta radicalmente o nível de vida, estilo welfare state, dos trabalhadores, intervindo na previdência social, nos planos de saúde, na educação, etc., de modo a cortar gastos do governo nestas áreas, as mais necessárias para os trabalhadores, ou de modo a privatizar tudo isso.

O Brasil vem copiando esse "nível de vida" há um tempo, desde que o FHC começou com o que o Lula e a Dilma dão continuidade agora: com a política neoliberal, que é uma política radical das elites sociais proprietárias contra os marginalizados do poder político que só podem votar de 4 em 4 anos, e que são vítimas da exploração e sujeição diária a formas de controle autocráticas no local de trabalho. Aqueles que pagam impostos, altos, para verem seu dinheiro ser injetado em empresas em falência, grandes empresas.

Quanto ao radicalismo ideológico, ele só pode ser a resposta necessária ao radicalismo das relações sociais em que vivemos. Circunstâncias radicais demandam soluções radicais. Moderação e conformismo ou conivência são a mesma coisa: conservadorismo, disfarçado ou não.

E o Brasil não está melhor... justamente porque o radicalismo ideológico, que protesta sim contra coisas concretas (exploração e opressão de classe são concretíssimas, até demais) é sempre derrotado por aqueles que querem garantir a 'moderação': é para garantir a moderação que todos os dias vemos a polícia espancando manifestantes de todas as idades e sexos no Brasil e no mundo.

Radicalismo é ir até a raiz do problema. Moderação é para fazer proselitismo se dizendo de esquerda, enquanto se é cumplice da barbárie.

Parabéns ao Anônimo pela

Parabéns ao Anônimo pela resposta ao Diocleciano!

Concordo com todos os seus argumentos!! Babaquice é ainda acreditar que este modelo que vemos na nossa cara, dia-a-dia, que exclui e mata e ninguém aguenta mais é o caminho certo para "salvarmos o planeta".

Sou adepta dos argumento de Anonimo, o socialismo verdadeiro é este!!

Parabéns!

Na verdade, erro meu, os 4

Na verdade, erro meu, os 4 anos de prisão foram por marcar um encontro no facebook. Não foi preciso quebrar nada... curioso.

Vide: http://esquerda.net/artigo/quatro-anos-de-pris%C3%A3o-por-apelarem-%C3%A0-desordem-no-facebook

E outra do próprio Brasil de Fato: http://www.brasildefato.com.br/node/7105

Os fatos não mentem.

Congelado no capital

Mais um que acredita que o capitalismo é reformável. E que o socialismo é a consequência.

Cruz Credo! O artigo do primeiro comentário, O "Anônimo" é que deveria ser publicado pelo jornal, pois coloca o ddo nas feridas!!!

ENTREVISTA

Sem objeções ao que ele disse sobre literatura, mas...

Ele diz: "No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo."

Com todo respeito pelo entrevistado, isso não é socialismo não. Socialismo é um modo de produção, no qual os trabalhadores controlam os meios de produção, por isso acabam com a alienação. A ênfase de quase todos os movimentos socialistas sempre foi o controle operário sobre a produção, o fim do regime de assalariamento, o fim da mais-valia, etc. Com variações é claro. O grande defeito da maioria dos brasileiros é conceber socialismo como distribuição de renda, ao invés de fim da exploração do trabalho pelo capital. Nesse sentido o governo neoliberal do Lula e da Dilma tem uma pitada de socialismo: uma contradição completa de termos.

Enquanto acharmos que basta haver distribuição de renda, resta aos trabalhadores a produção de mais-valia, a exploração do trabalho, a opressão diária numa sociedade cada vez mais insegura e tomada pelo terror, aqui e em qualquer parte do mundo. O capitalismo pode distribuir renda sem acabar com a exploração, sem acabar com a mais-valia, porque quando ele distribui renda ele está distribuindo mais-valia, mas ela permanece.

Talvez o motivo do erro dele seja advogar uma interpretação kantiana do socialismo, como o Bernstein, que os marxistas tem o direito de criticar. Se o socialismo for uma eterna luta, sem fim, isso significa que o capitalismo será eterno. Eternizar o capitalismo é o primeiro passo para negar o socialismo e dar-lhe o caráter de utopia. O socialismo não pode ser uma finalidade sem fim, porque ele é, concretamente, uma necessidade diária e continuamente reproduzida da classe trabalhadora. Isso é uma regressão, porque o Marx utilizando a dialética de Hegel já havia demonstrado isso: Bernstein tem sim que ser criticado, porque ele é membro de uma corrente oportunista do movimento operário, o que há muito é evidente, e que levou, por exemplo, à desorientação do movimento operário que não impôs obstáculos à Primeira Guerra Mundial, uma das maiores derrotas dos trabalhadores até hoje.

Asssim, todas as mazelas que ele denuncia na entrevista tornam-se problemas insolúveis (bem como no pensamento de Kant, com suas "antinomias"), se não se mostrar o contraditório, a dialética dos conflitos sociais e a possibilidade de superação destas mazelas através do conflito social: da luta política da classe operária pelo controle da produção.

Além do mais ele demonstra um certo idealismo ao dizer o seguinte: "Acho bonito isso que o MST faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia..."

Acho que não é por acaso que o MST não possa ser uma força revolucionária no Brasil, uma força verdadeiramente anti-capitalista, já que 1) a ênfase do movimento é somente educação e não na luta politica aberta e radical (e a educação não é colocada nos termos da luta socialista autogestionária) e 2) a finalidade da luta é a propriedade da terra, ou melhor, a pequena propriedade, destinada ou a tornar-se grande propriedade capitalista, ou a permanecer sendo pequena propriedade, ou a ser perdida, levando o trabalhador a tornar-se novamente desprovido de propriedade. Em primeiro lugar, a educação em si não altera em nada, é preciso a práxis e a práxis do MST só será eficiente se for conjunta com outros movimentos do proletariado contra o capital, o que, mesmo assim, no atual momento de refluxo dos movimentos sociais é muito improvável de acontecer e muito menos de dar certo. Em segundo lugar, essa aliança com outros movimentos sociais fica inviabilizada justamente pelo caráter "conservador" do movimento, que advoga a propriedade da terra, o que fica evidente na cumplicidade do governo neoliberal Lula/Dilma, em relação ao MST, pacificado.

Outra afirmativa que merece consideração é: "O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar." Onde não foi ao poder, não foi socialismo, e onde se diz que foi ao poder, não foi ao poder. O socialismo foi abortado na Rússia antes de nascer, quando os Bolcheviques acabaram com os sovietes, que eram um "proto-socialismo", um socialismo em formação. E onde o socialismo não foi ao poder (penso que ele fala da social-democracia nos tempos do Estado do bem-estar social) os ganhos materiais da classe trabalhadora sofrem constantes ataques, com a implementação das políticas neoliberais.

O que ele diz sobre o padrão de vida alto dos trabalhadores na Europa deve ser muito relativizado. O neoliberalismo tem sido uma força social contra esse padrão de vida a, no mínimo, uns 30 anos. E continua sendo: os recentes acontecimentos envolvendo a crise econômica na Grécia, na Itália e nos EUA, são uma evidência. O bem-estar social é continuamente colocado de lado em nome da manutenção da acumulação de capital. E os direitos sociais dos trabalhadores sofrem grave ameaça.

Enfim, muita lucidez em matéria de literatura, pouca lucidez em matéria de política. Algo que me surpreende, pois sempre pensei que, nesse aspecto, um intelectual do porte dele seria um pouco melhor.  

Resta saber o que

Resta saber o que efetivamente os trabalhadores querem.´

A grande desconfiança disso tudo é a desconsideração toda de aspectos da diferença e da cultura e quaisquer das analises. A diversidade étnica e cultural parece não ser indagada por ninguém. O "ar" de homogenização que arrepia as espinhas ficam presentes em ambas análises e referencias utilizados. Ainda não me convenci de nenhuma delas. Nem mesmo as teorias anarquistas que, do ponto de vista do processo, ainda me parecem mais razoáveis.

Quanto a isso, posso afirmar

Quanto a isso, posso afirmar o seguinte: sou um trabalhador, proletário, e sei exatamente o que quero, assim como a maior parte dos trabalhadores. O que queremos é um padrão de vida superior, não só no sentido de ganhos materiais, mas no sentido de passarmos a ter mais controle sobre nossas próprias vidas, para não nos sentirmos ou sob o controle de alguém ou sob o controle de circunstâncias que desconhecemos. Quanto a isso, a análise de Marx sobre a alienação é, na minha opinião, muito importante.

E você percebe isso todos os dias: todos os dias os trabalhadores esbarram em obstáculos à satisfação de suas necessidades e desejos, impostos pelo regime do capital. O que não têm feito ultimamente é se unirem, com consciência de classe, para combaterem como classe esses obstáculos, até colocar fim no maior deles, o controle dos meios de produção pelos capitalistas. Isso pode parecer economicismo, mas não é: quando Marx fala em controle dos meios de produção pelos trabalhadores está falando em uma estratégia política democrática, e após a Comuna de Paris, numa estratégia política autogestionária. E o cultural não está eliminado também, o socialismo é também uma revolução cultural, na qual os trabalhadores poderão apreciar o quê na cultura em geral lhes diz respeito e merece ser preservado. Os meios de produção da cultura também são meios de produção. Os capitalistas fazem o mesmo, condenando formas culturais que considera não compatíveis com o avanço da acumulação de capital à extinção, e preservando aquelas que se associam facilmente à manutenção de uma ordem social hierárquica e exploradora. E também monopolizando os meios de produção cultural para obter mais-valia e lucro.

Não se trata de homogeneizar tudo, o que se trata é de dar o controle para os subalternos decidirem o que querem, em matéria de cultura também. O que temos à nossa disposição em matéria de cultura é o que o capital considera útil para reproduzir à si mesmo, o que os capitalistas podem transformar em mercadoria, caso contrário toda a riqueza cultural que alguma coisa possa ter, fica relegada a não ter razão de ser. A diversidade étnica só pode ser um elemento positivo para o socialismo, pois numa sociedade com diversidade de visões de mundo, os trabalhadores tenderão a ter uma maior pluralidade maior na gestão da si mesmos, ampliando suas potencialidades.

Agora, um erro muito comum é homogeneizar o heterogêneo: dizer que uma etnia é homogênea internamente, por exemplo, quando ela têm, na verdade, contradições de classe internas também. Agora chegamos ao ponto: as lutas de classes não se resumem ao conflito entre operários das indústrias e patrões, ela está presente em todo o lugar no qual um indivíduo pode submeter o outro a um determinado tipo de controle social opressivo/explorador. Ela está presente em todo o lugar, e onde quer que os subalternos existam, a potencialidade de revolucionamento destas condições também estão presentes. Daí provém a universalidade que o socialismo advoga. A universalidade da história tem sido a exploração do trabalho, combinada a formas de opressão, as mais diversas. O socialismo tem a sua universalidade na luta contra isso.

As questões de gênero, raça, etc., podem ser facilmente contempladas pelo socialismo, e devem ser, pois foi um erro não terem sido antes, nos séculos XIX e XX. Quanto mais o capitalismo se universaliza, mais as conquistas mais particulares de setores particulares da sociedade se associam às conquistas gerais do setor subalterno que suporta todas as demandas sociais: os trabalhadores. Todos os obstáculos impostos à satisfação das necessidades e desejos das etnias, etc., são obstáculos que encontram suporte na acumulação de capital, na exploração do trabalho. Falar em anti-capitalismo ou anti-globalização, ou ecologia, sem falar em socialismo é uma ilusão. Todas as demandas "progressistas", avançadas, da contemporaneidade estão na dependência de um socialismo autogestionário para sua realização, o que depende do levante dos setores subalternos e oprimidos da sociedade.

Agora um problema é o de que determinadas demandas podem ser contempladas pela sociedade capitalista: como as demandas do movimento gls por exemplo. Um regime capitalista pode tolerar o casamento gay, tal como pode tolerar a ampliação dos direitos civis aos negros, ou dar direito de voto de quatro em quatro anos. Isso não muda nada e não responde ao anseio mais firme dos trabalhadores: controlar a si mesmos. Esse é o grande desafio dos movimentos sociais do século XXI em diante, contemplar as demandas que possam ser associadas à luta dos trabalhadores, porque provenientes dos setores subalternos, e avançar na luta pela autogestão.

Quanto a optar por correntes de socialismo, sendo libertário, democrático e revolucionário, não importa se o nome é anarquismo ou comunismo ou que for. O título não define nada, o que define é a práxis: libertária, democrática, revolucionária, socialista, no sentido de que luta pela socialização do que é vital para a sociedade e que está privatizado. Agora o importante é compreender a mais-valia, isso é vital.

Ótima reflexão

Obrigada ao anonimo pela reflexão.

Finalmente esta questão foi enfrentada sobre a materia em questão. De fato, não sou profunda conhecedora destas questões e faço uma análise muito empirica da realidade.

Percebo que as diferenças culturais, o petencimento étnico e seus valores históricos para os povos, principalmente os povos que sofreram com os processos de colonização, todos os conflitos desencadeados a partir de sua exploração, as representações históricas "do outro", enfim, todas as peculiaridades da "cultura" no sentido mais amplo da palavra são questões muito complexas a serem avaliadas nestas analises sobrte o socialismo.

Mas de toda a forma me convenci de sua argumentação. Parabéns..

 

Sensacional

Sempre é um prazer ler tudo o que o Antonio Candido escreve, fala e etc.

Sensacional, tenho muita confiança que o Socialismo será o predominante da nossa sociedade, eu estou lutando para isto. A reforma agrária é a grande arma para acertar o coração do capitalismo. O MST deve ser apoiado, mas o verdadeiro MST.

 

Abraço,

 

Diego Elias

brilhante entrevista

Brilhante entrevista, antônio Cândido lúcido, sempre lúcido!

O mérito do professor é o

O mérito do professor é o anti-conformismo. Ele evita aquela crença (e postura) de que "o mundo é, sempre foi e sempre será assim".

Porém, vejo um exagerado otimismo dele. Tá certo que houve avanços sociais, mas a sociedade exala facismo pelos seus poros - conformismo com as desigualdades, intolerância com as diferenças, gramourização da violência, simpatia com políticas de higienização social, mercantilização de direitos sociais (moradia, saúde, educação)...

Ainda assim, é uma ótima entrevista - um antídoto contra nosso entorpecimento mental causado pela grande mídia.

Passei duas semanas sem poder

Passei duas semanas sem poder acessar a internet e o Brasil de Fato. Senti que meu cerébro começara a derreter, de tanta burrice. Obrigado a equipe do jornal, por nos presentear com essa entrevista maravilhosa!

Sobre a qurestão da vaquinha

Brilhante como sempre o Dr. Prof. Antonio Candido. Bela entrevista!

Só para dar uma "cutucadinha", eu, como agrônomo, socialista por opção e vegetariano, gostaria de saber como o professor pode romper, por qualquer que seja o motivo da ruptura (ideológica, religiosa, edconômica, etc.), com alguma coisa externa se romper com o interno. O exemplo mais simples que eu vivi em 2009 foi quando, por uma decisão política, resolvi para de comer carne vermelha e de frango (não refiro-me à carne branca, em geral, por manter a carne de peixe em minha dieta, por questões proteicas). Como deixar de comer a carne da vaca sem abdicar das almôndegas?

Parabéns ao Dr. Candido e vida longa para esse brasileiro de mente brilhante.

Elogio

parabéns pela entrevista. candido é genial!

Linda entrevista. Parabéns a

Linda entrevista. Parabéns a indispensável Brasil de fato

SOCIALISMO, o que é?

A oportunidade que o Jornal Brasil de Fato nos proporciona com a excepcional entrevista com Antônio Cândido é a prova de que o tempo para a leitura é uma necessidade para a cultura humana. Transformar uma complexidade em simplicidade é sinônimo de sabedoria. Cândido me permitiu uma releitura e conceituação do socialismo que eu buscava há muito para além de entender, explicar. DE FATO: o que o capitalismo tem de bom são as conquistas do socialismo.

Essa entrevista é produto raro de um garimpo.

DE FATO isso é Brasil. Viva o socialismo e a liberdade!

reconforto ...

É reconfortante e dá um alento extra reencontrar nas entrevistas, brasileiros com esta envergadura. Com a peculiar suavidade não se distancia um milimetro da ética .Pena que pensadores dessa extirpe sejam poucos, mas reconforta saber que existam ...

Bernstein

Candido é um intelectual grandioso. Mas pelas suas concepções sobre política dá pra ver que realmente parou no tempo há trinta anos. Bernstein??? Jesus me abane.

Demaaaiss!!!

Qto orgulho em  termos um intelectual do calibre de Antonio Candido entre nós.

Simplicidade e clareza. SHow!

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